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  • Depois, todos da mídia democrática disseram ter avisado que algo anunciado aconteceria no 8 de janeiro ou nos dias seguintes. Informações da inteligência do Estado, da sua segurança federal, estadual e distrital indicavam a iminente invasão dos palácios dos três poderes em Brasília. As autoridades responsáveis por manter a ordem optaram pelo diálogo e/ou omissão, pretendendo administrar a ameaça de mobilização que rondou e governou, recentemente, os acampamentos de bolsonaristas diante dos QGs do Exército pelo Brasil.Os acampados, financiados por empresários e abençoados por políticos, militares, policiais, juristas, pastores etc. e tal, escutavam suas músicas sertanejas, comiam churrascos e/ou marmitas quentinhas, tomavam uma bebidinha aqui ou ali, compartilhavam notícias, jogavam entre cartas de baralho uma prosa e meia sobre o patriotismo, o mito, a intervenção militar, seu messias e um tanto de futebol, mulheres e política. Entendiam que cedo ou tarde viria a palavra-chave para ativar a jogada final para depor o presidente eleito, os juízes do STF e os deputados e senadores comunistas ou simplesmente frouxos ou corruptos.8 de janeiro de 2023 aconteceu sem muitas novidades, porém surpreendendo. Afinal, os fascistas, antes de tudo, prezam em destruir o que há. Segundo eles, tudo começará da estaca zero com sua direção central e autocrata. Os revolucionários russos, em 1917, tomaram o Palácio de Inverno em S. Petersburgo fazendo menos estragos, pois sabiam que sua missão era ocupar o Estado. Antes, em 1871, os communards tomaram Paris e derrubaram a coluna da place Vendôme, símbolo do domínio burguês e aristocrático, que teve no seu alto de Luís XIV a Napoleão Bonaparte, entremeado pela alusão à Revolução Francesa... Mas nesses acontecimentos e em muitos outros havia povo em luta contra a ordem. O que se via em Brasília era a determinação da ordem na ordem.Em 8 de janeiro de 2023 só havia autoritários acobertados por certas forças repressivas, empresariais, políticas e jurídicas. Não havia nem houve confronto entre facções políticas, forças diversas, só houve o desfile destrutivo de legião fascista, sob o olhar cúmplice de policiais. Não foi algo similar aos anos 1930 quando os anarquistas enfrentavam os fascistas nas ruas, enquanto os comunistas articulavam umas e outras palacianas. Era um tempo em que o governo do movimento de 1930, mais tarde chamado pela historiografia de “revolucionário”, estancara a Constituição de 1934, as anunciadas novas eleições e fazia crer que tudo caminhava para um golpe de Estado capitaneado por Getúlio Vargas, seu messias militar. Os fascistas, por meio dos integralistas, ostentavam armas e seus uniformes de milicianos, tentando aterrorizar a população que se envergonhava de ser povo. Foram derrotados pelos anarquistas da Federação Operária de São Paulo, que articulou, desde 1933 no Centro de Cultura Social de São Paulo, as demais forças antifascistas, na batalha da Praça da Sé (RODRIGUES, 2017). Combateram os fascistas protegidos pelos ombros getulistas até logo após o golpe de 1937, quando os integralistas foram descartados.

  • O maracatu de baque virado é uma manifestação cultural afro-indígena brasileira que tem sido estudada pela musicologia e pelas ciências humanas e sociais. O presente artigo tem como objetivo analisar algumas práticas de atenção produzidas nos cortejos de maracatu e sua relação com a construção de um comum no espaço público. As relações atencionais são analisadas em uma rede heterogênea composta pelo batuque, a dança, os instrumentos e o entorno. Tomamos como referência a abordagem da ecologia da atenção de Citton, bem como as ideias de Guattari e Simondon. Utilizando a cartografia como método de pesquisa-intervenção, destacamos uma qualidade de atenção conjunta a qual denominamos “pressão”, dedicada ao manejo metaestável de “sustentação do baque”, responsável por “não o deixar arriar” e por “fazer vadiar com gosto”. Concluímos sugerindo que os cortejos de maracatu de baque virado nas ruas podem suscitar uma ecologia de práticas promotoras de saúde no espaço público.

  • O presente artigo versa sobre a nossa relação com o tempo e com a memória, no que perdura de uma experiência nas manifestações sociais de Junho de 2013. O sentimento melancólico que insurge a partir da passagem deste acontecimento de grande intensidade política coloca-nos uma questão: o que estamos fazendo de nós? A questão se propõe a encarar os afetos que mobilizamos e nos mobilizam no âmbito da ação política e suas consequências: como rememorar a partir de uma postura ética com o presente? Utilizamo-nos da melancolia, do luto, do amor fati, do ressentimento, da força plástica, da duração, como diferentes operadores que arranjam uma ética da memória, a fim de pensar as ressonâncias entre 2013 e 2020. Buscamos construir um exercício memorialístico que abandone a posição ruminante em busca do que poderia ter sido diferente e vise a transformação, a produção de outros contornos a uma experiência.

  • Nosso tempo é marcado pelo adensamento das catástrofes presentes e passadas, assim como pelos desafios de narrar tais eventos traumáticos em busca de reparação e elaboração. O presente ensaio experimenta uma reflexão conceitual e sensível sobre nossos encontros com as vertigens das sucessivas desterritorializações urbanas e suas relações possíveis com os corpos que envelhecem nas cidades. O compromisso ético com a memória da catástrofe reside neste desafio paradoxal de trabalhar a favor da lembrança e do esquecimento, visto que, por um lado, os eventos estão ameaçados de soterramento e aniquilação e, por outro, exigem um esforço de elaboração e transmutação. A lembrança, nesta perspectiva, não está comprometida com a tentativa de reiterar o longínquo adormecido; trata-se antes de trazer à tona as multiplicidades inatuais para complexificar o presente em sua duração. O que está em jogo é a ferida que sobrevive, reivindicando não o resgate da paisagem, mas a produção de um desvio a partir das ruínas que já não podem mais ser ignoradas. Liberar o passado para a criação:  desafio daqueles que se debruçam sobre as cinzas para viver o luto e ultrapassá-lo, afirmando uma posição de travessia que acompanha as metamorfoses das cidades.

  • O ensaio que abre este número de Mnemosine evoca o contundente poema de Brecht, Intertexto, que situou, no passado, a chegada dos invasores - os que ocupam nossas casas aos poucos, sem serem notados, até que nos expulsam. Primeiro levaram os negros/ Mas não me importei com isso/ Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários/ Mas não me importei com isso/ Eu também não era operário Depois prenderam os miseráveis/ Mas não me importei com isso/ Porque eu não sou miserável Depois agarraram uns desempregados/ Mas como tenho meu emprego/ Também não me importei Agora estão me levando/ Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém/ Ninguém se importa comigo.  Cada vez é mais necessário criar vacúolos de silêncio em meio a um insuportável vozerio. Assim, creio que basta o poema de Brecht ao Editorial de Mnemosine nesse primeiro número de 2023. Obrigada a todxs que colaboraram.Saúde, alegria.Também querem levá-las.Mas, no caso, isso nos importa e não estamos dispostxs a permitir.....  Heliana de Barros Conde Rodrigues

  • O artigo visa discutir algumas passagens em que Michel Foucault aborda o provável esgotamento, em nossos dias, da possibilidade do sujeito realizar um “retorno a si” e constituir uma ética e uma estética do si. Identificamos também em Pierre Hadot a mesma inquietação a respeito de uma provável perda de sentido da espiritualidade hoje. Em primeiro lugar, apresentamos uma síntese da interpretação foucaultiana do cuidado de si. Em seguida, buscamos definir o termo “espiritualidade”, tentando mostrar que tanto Foucault quanto Hadot sempre ressaltaram sua imbricação ético-política. Foucault inclusive pensou a espiritualidade como motor das revoltas e das revoluções. Por fim, partindo de duas esquetes do mundo contemporâneo, discutimos algumas passagens em que ambos autores expressam inquietações sobre a provável ausência de sentido de uma “ética do si” em nossos dias.

  • A dramatização é um recurso importante utilizado no esquizodrama; contudo, as referências brasileiras são pouco acessadas. Dessa forma, o objetivo desse artigo é conhecer o Método de preparação de atores de Fátima Toledo, para discutir possíveis contribuições ao esquizodrama de Gregorio Baremblitt. O que seu trabalho pode nos ensinar para as práticas de dramatização nas intervenções clínicas e psicossociais? O método utilizado foi uma revisão bibliográfica sobre sua obra e discussão teórica. Dentre os diversos pontos de conexão que podem ser encontrados, discutimos quatro: 1- a incitação de processos de desterritorialização; 2- a expressão de devires-animais; 3- a produção de uma zona de vibração contínua e 4- a estratégia situacional corporal. Concluímos que o Método de Fátima Toledo pode ser uma valiosa ferramenta para o trabalho esquizodramático.

  • Ele toca piano, é-foi biólogo, só encontra palavras fortes e sutis para seus parceiros. É um tradutor cuidadosíssimo, um arquivista foucaultiano, um ensaísta equilibrado, o generoso companheiro de convivências amplas e nas contingências urgentes.Isso tudo, fomos constatando pouco a pouco, desde a generosidade, evidenciada no primeiro encontro. Curioso é lembrar o espanto (e a alegria correlata) que acompanhou, para um(a) de nós, Heliana, a circunstância já longínqua de se deparar, em uma livraria carioca, com a coletânea O Sujeito da Educação (Silva, 1994): estariam pensadores ligados à Teoria Crítica, marxistas frankfurteanos, “devindo” outra coisa? – o subtítulo do volume (Estudos foucaultianos) não dava muita margem a que a pergunta perdurasse. Notadamente porque, no ano seguinte, Crítica pós-estruturalista em educação, já então organizada por Alfredo Veiga-Neto (1995a), confirmaria as diferenças que se afirmavam por intensidades, mais do que por cronologias ou rotulações político-acadêmicas. Do léxico galego da língua portuguesa, veiga, substantivo feminino, é “planície ou vale suave e fértil; terreno plano, bom, de lavradio; grande chaira de terreno comunal; leira destinada à sementeira de milho, batatas, etc.; lavradio onde vários vizinhos têm uma parcela; terreno sempre húmido, normalmente com outono; estar na veiga: o mesmo que estar na horta, não tomar consciência ou perceber o que sucede; veiga com fame: veiga ou terreno pouco estercada; veiga da porta: veiga que está junto à casa[1]. “Regionalismo: terra de cultivo de centeio ou milho serôdio”[2]. Pré-romana: baika, terreno inundado, chã, campina, várzea. É a floração das ameixeiras, anunciando a primavera japonesa (um dos locais mais renomados para se ver a baika fica a uma hora e meia de trem de Tóquio, na província de Ibaraki)[3]. Baika é também uma prática musical zen-budista[4]. Seria uma aeronave a jato a ser construída no Japão durante a II Guerra Mundial, jamais  produzida[5]. Veiga-Neto, Alfredo-Alfie, é da beleza, da paisagem, da terra, da música, do que é fértil e alimenta[6].[1] https://www.estraviz.org/veiga[2] https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/veiga[3] https://www.japanhousesp.com.br/artigo/baika-floracao-das-ameixeiras/[4] https://aguasdacompaixao.wordpress.com/atividades/baika-a-pratica-de-musica-zen-budista/[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Kawanishi_Baika[6] Alfie, que não o da canção de Burt Bacharach https://www.letras.mus.br/burt-bacharach/261594/ e muito menos o de Lily Allen https://www.vagalume.com.br/lily-allen/alfie-traducao.html

  • O início da criação do método clínico de Piaget é contada a partir de uma narrativa que cobre sua vida desde a infância até outubro de 1920, dividida em três partes. A primeira é o encontro com a filosofia no lago de Annecy, na França; a segunda é o encontro com a lógica e a matemática em Neuchâtel; a terceira é o contato com o modelo francês de psiquiatria e avaliação psicológica em Paris. No primeiro encontro, Piaget insere-se nos posicionamentos filosóficos que desenvolve no segundo encontro, cujas soluções experimentais busca no seu terceiro encontro. Defende-se que o trabalho de normatização e adaptação do teste de Burt para crianças parisienses que Piaget empreendeu a partir de janeiro de 1920 até meados de 1921 teve um papel fundamental para que encontrasse um método de pesquisa apto a permitir a investigação dos problemas de cunho epistemológico com que havia se deparado ainda em Neuchâtel.

  • Este artigo tem por objetivo evidenciar e debater a noção de socius, conceito chave dentro da Esquizoanálise para pensar sua teoria da produção e reprodução social, utilizando-se do filme Matrix como um intercessor, incluindo suas diversas produções multimídias. Tomando como fio condutor, dentro do universo do longa-metragem, a estória da construção e desenvolvimento do software denominado matrix e sua relação com a humanidade, problematizamos o modo de funcionamento do sistema capitalista no contemporâneo, utilizando-nos do conceito das três sínteses, presente n’O Anti-Édipo. Mostramos de que modo a produção e reprodução dos vários socius não se encontram aprioristicamente determinados, como se fossem estruturas imutáveis e universais, mas, sim, estão em constante construção e reconstrução. Faz-se mister também destacar que a crítica pós-estruturalista da noção de estrutura não pode ser tomada erroneamente como se esta última tivesse desaparecido completamente e o sujeito fosse lançado em um campo puramente empírico.  Cabe a nós, sujeitos históricos e também em incessante constituição e reconstituição, pensar os embates sociais de nosso tempo, problematizando as estratégias de enfrentamento ao capitalismo assumindo o aspecto trágico do processo de produção maquínico da realidade.

  • Apesar do avanço nas leis que salvaguardam as garantias fundamentais das crianças e adolescentes, seus direitos ainda são violados cotidianamente no Brasil. A mídia, por sua vez, tem um papel importante na disseminação de informações que legitimam e naturalizam o tratamento ofertado pelo Estado a essa população. Este trabalho analisa como as representações sociais de adolescentes em conflito com a lei nos meios midiáticos online conformam valores que influenciam na opinião pública. A pesquisa possui caráter qualitativo e foi realizada a partir de investigação documental, na qual foram analisados materiais bibliográficos e comentários de matérias jornalísticas no Facebook. Observa-se a prevalência de discursos estigmatizantes que reforçam a marginalização dos adolescentes em conflito com a lei e a insatisfação em relação à segurança pública, principalmente no que se refere ao cumprimento de medidas socioeducativas previstas no ECA.

  • O presente trabalho pretendeu investigar como as questões raciais e os processos de subjetivação se articulam no campo da educação básica, tomando por referência os desdobramentos da Lei n 10.639/2003, que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Buscou-se compreender como as disposições da Lei n 10.639 têm sido perspectivadas na educação básica por meio de dissertações defendidas entre os anos de 2015 e 2019 nas universidades públicas estaduais baianas. A metodologia utilizada foi uma revisão integrativa do material levantado através da busca nos sites de Programas de Pós-Graduação em Educação das referidas universidades. Os dados foram analisados mediante seu conteúdo em diálogo com a perspectiva da Afrocentricidade desenvolvida Molefi Kete Asante. Os resultados apontaram que a maior parte das escolas ainda não efetiva a Lei 10.639/2003 e, quando ocorre, é geralmente por iniciativas individuais de alguns profissionais.

  • O artigo busca pensar alguns aspectos da cidade e da circulação na mesma, sobretudo em contextos urbanos, interrogando os estigmas e resistências que modulam e são modulados pelas práticas complexas que fabricam os modos de ser, de viver, de sentir, de agir e se relacionar na cidade como espaço público. A cidade como lugar em que tempo e espaço convergem e se entrecruzam é um importante lugar de disputas e lutas por direitos, simultaneamente de conflitos de interesses, em constante transformação e tentativas do Estado em organizar e gerir subjetividades e vidas. A apropriação das cidades como negócios por corporações e grupos que visam extrair privilégios tem sido regular, sobretudo, no capitalismo neoliberal das últimas décadas. Concluindo, busca-se apresentar resistências em que a transformação democrática do espaço urbano é um ideal permanente diante da produção de estigmas e segregações.

  • Este artigo foi desenvolvido enquanto a autora estava concluindo seu mestrado e buscou articular teoria e prática através dos conceitos e relatos de experiências discutidos na disciplina Oralidade e arquivos orais, de modo que pudessem ser aplicados ao campo de estudo da pesquisadora. Com o objetivo de transformar o repertório debatido em instrumentos que auxiliassem no desenvolvimento de um estudo maior, neste caso a dissertação de mestrado da autora, que se encontra em andamento e tem como uma das principais etapas de coleta de dados a entrevista, optou-se por relacionar os conceitos vistos na disciplina com o principal elemento de estudo presente no tema da dissertação, o vestuário. Entende-se a importância do vestuário como suporte de memória, evocado em muitos momentos. Argumenta-se, com base nos autores selecionados, a relação do vestuário com a construção e evocação de memórias através de relatos orais.

  • O artigo objetiva problematizar e levantar uma discussão frente à negligência e desafios que podem ser encontrados ao não se concretizar um ensino efetivo em Língua Brasileira de Sinais (Libras) na formação e ensino em psicologia. Ressalta-se que os possíveis obstáculos encontrados durante o atendimento ou intervenção com pessoas surdas realizados por profissionais em psicologia não capacitados a uma comunicação compreensível com essa população pode não apenas tornar o processo de escuta frustrante e incômodo para ambas as partes, como também pode refletir diretamente nos processos subjetivos e ter repercussões na saúde mental da pessoa que convive com a surdez. A efetivação da Libras na formação do psicólogo se mostra não apenas como uma prática inclusiva, mas também é potencializadora e de extrema importância para viabilizar e promover de forma concreta uma atenção psicológica e cuidado em saúde mental adequado para com as pessoas que convivem com a surdez.

  • Este libro plantea la hipótesis de que el desarrollo de los medios y las tecnologías de la comunicación han intensificado la visibilidad de la experiencia vivida individual, recreando la transmisión del recuerdo. Solo que, en este caso, el recuerdo se produce como información y no como memoria. Una información en serie, en virtud de la alta proporción de visibilidad de la experiencia individual, lo que representaría una gran producción y consumo de varias memorias autobiográficas. Este fenómeno se encuadra en la reconfiguración de los conceptos de tiempo y espacio como marcos sociales y generales de memoria. Lo que ha producido la revalidación del presente como el "régimen de historicidad" predominante, en donde el olvido tiene un protagonismo especial debido a los débiles vínculos que las representaciones mediáticas pueden construir con el pasado.

  • Para o filósofo canadense Charles Taylor, o conceito de experiência religiosa foi mal compreendido. Formulada a partir da psicologia de William James, a descrição dessa experiência centrou-se em aspectos individuais em detrimento de suas manifestações coletivas. Segundo Taylor, paira sobre ela uma densa névoa de incompreensões epistemológicas e políticas que obstam resgatar o verdadeiro sentido da experiência religiosa. Ele atribui essas incompreensões à concepção naturalista do comportamento humano, inaugurada com a modernidade, e propõe uma nova maneira de entender a experiência religiosa por meio de uma investigação da formação da identidade moderna. A partir da crise da morte de Deus, a o fim do domínio público da religião e a interiorização e o recuo para a vida privada das experiências religiosas, nossa tese discorre sobre a teoria da subjetividade de Taylor e seu impacto no estudo da experiência religiosa. Composta por quatro artigos, nós apresentamos, no primeiro, os elementos centrais da filosofia da psicologia de Taylor, no contexto do que ele denomina de antropologia filosófica. Essa teoria visa se contrapor à corrente do naturalismo, que, a seu ver, invadiu as ciências humanas e é responsável por uma série de incompreensões no estudo do comportamento humano. No segundo artigo, traçamos a origem dessa corrente, mostrando como ela está entrelaçada com a autocompreensão da modernidade. A seguir, tratamos da leitura de Taylor da psicologia da religião de James. Nesse artigo, mostramos a ligação entre o pensamento de James e o naturalismo e discorremos sobre as críticas de Taylor a ele. Por fim, tratamos da experiência religiosa em Taylor. Mais do que uma experiência centrada no indivíduo, Taylor aponta para toda uma estrutura de compreensão de mundo que atravessa a compreensão da experiência religiosa.

  • O artigo “L’expérience russe – L’éducation sociale des enfants” (Antipoff, 1924), reproduzido a seguir, foi escrito pela psicóloga e educadora russo-brasileira Helena Antipoff (1892-1974) e publicado na revista La Semaine Littéraire , em Genebra, em 1924. Trata-se de documento expressivo, original, uma espécie de documento-monumento, no sentido proposto por Zumthor (1960), peça histórica única, testemunho de uma época e de ações humanas empreendidas em um determinado contexto com sentido propositivo, destinado a se tornar um clássico para a posteridade. A narrativa é constituída por um relato de primeira mão sobre o projeto de educação social formulado na Rússia pelos bolcheviques nos primeiros anos após a revolução comunista de 1917 e seus desdobramentos, observados na aplicação prática dos princípios idealizados. Resulta de observação da autora como participante direta de instituições encarregadas de colocar em operação propostas educativas decorrentes das políticas implantadas no território russo naquele período conturbado, de grande instabilidade social. Período marcado também pelas tentativas nem sempre bem sucedidas de realizar os ideais revolucionários inspirados na crítica ao capitalismo formulada por Karl Marx e interpretada pela primeira geração de líderes bolcheviques.

  • Resumo É expressiva a literatura sobre a história da psicologia, em geral, circunscrita ao seu caráter técnico e científico. Neste ensaio, temos como objetivo sair dos limites da história da psicologia para situar o lugar da psicologia na história. Ao sair destes limites, constatamos que, há séculos, conteúdos psicológicos foram objeto de reflexões que marcaram época, sem o caráter de profissionalismo. Isto quer dizer que a psicologia não é uma profissão por natureza, mas se fez profissão e ciência na sociabilidade burguesa. Como profissão, a psicologia busca a certeza, a precisão orientada pelos padrões da sociedade que a constituiu. Assim, o profissional psicólogo insiste no tecnicismo, no corretivo, orientado por sua concepção de homem e de sociedade que não leva em conta a complexidade da trama de relações sociais que envolvem o indivíduo e marca indelevelmente sua singularidade. Enquanto profissão, a psicologia é apenas uma parte do lugar que ocupa no transcorrer da história. Lembramos que “os segredos da alma” nem sempre se revelam pela precisão do saber científico, pelo profissionalismo, como atesta o saber psicológico de filósofos, escritores, poetas de distantes ou mesmo de épocas próximas.

Última atualização da base de dados: 23/05/2024 06:04 (UTC)

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